Tópicos de uma noite qualquer

Logo ao chegar em Livorno, reparei que próximo a onde estou hospedado existe um bar chamado, La Terrazza Mascagni, podia ver da janela do meu quarto um intenso movimento, belas mulheres e os sons de Sigur Rós em altura familiarmente atraente, foi o apelo; aparentemente lá seria o ponto de encontro dos boêmios da cidade, em busca apenas de uma boa bebida quem sabe, ou um refúgio para alma que tanto labutara a procura de soluções para os mais corriqueiros, as mais urgentes questões. Já tinha me decidido, logo ao cair da noite sairia sozinho às escondidas para enfim tomar uma bebida naquele bar de aparência nórdica e animada, onde quem sabe conhecerei belas mulheres ou uns bêbados como eu.

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“Mia vita”, dizia a placa na entrada do bar, ao dar passos curtos em direção ao seu interior, deparei-me com uma linda mulher, loira e esguia, dançava sozinha, logo a sua frente uns pares de bêbados se amontoavam nas cadeiras enfileiradas no estreito do balcão, uns riam, outros preferiam calar-se e somente observar. Ocupei uma cadeira ao canto direito, olhei tudo a minha volta e por uns breves segundos perdi-me nos limites de minha própria imaginação, observando a loira dançar, um senhor de cabelos grisalhos proseando com ele mesmo ou com algum de seus fantasmas mais atuais e o garçom nada sóbrio servindo uísque barato e a seguinte frase a cada copo servido: “Non gettare sulla mia scrivania”.

É um bar sempre “agitado” assim, perguntei a mulher que estava ao lado, por infortúnio ela captou a ironia e disse: – não como no seu país tropical, onde belas moreninhas regam pés de canabis. Calei-me por um instante, tomei a cerveja que o garçom me servira, a mesma mulher olhou-me e disse, escuta!, tem uma brasileira trabalhando aqui. Gritou pelo seu nome, não atendeu de primeira, logo depois veio ao nosso encontro, fomos apresentados e começamos ali uma breve conversa, até sermos incomodados por um grito… “Amanda serve tavolo”, ela foi. Fiquei a observá-la de longe, seus belos olhos azuis, tão sinceros quanto o anunciar do por do sol, pele branca feito feito a neve, pela casa dos 22 anos de idade, cabelos ruivos e uma aparência cansada, digna de quem se aventurara a trabalhar em três empregos para manter-se financeiramente naquele país.

Lá ninguém parecia reparar em ninguém, nem na loira solitária que se balançava no centro do bar com os olhos fechados quase em transe profundo, mas com feições felizes. Nem nos outros que se espalhavam pelo local, sozinhos sem companhia, somente com seus pensamentos e um uísque duplo sem gelo, mais nada.  Minha cerveja havia acabado, e de copo vazio decidi ir embora, ao levantar, eis que chega a Amanda, ofegante e com um corte raso em uma das mãos, perguntei o que havia acontecido, respondeu-me olhando para o chão que se cortara com um copo quebrado propositadamente por um dos clientes irritado pela demora de um drink. “Ao recolher os estilhaços meu cortei, mas não é nada, já fui liberada, vou para casa e descansarei, amanhã às nove da manhã em ponto trabalho em outro emprego”, disse ela tristemente. Posso te acompanhar até a saída, também vou embora, disse a ela. Ela sorriu discretamente, paguei minha conta e sai de lá em sua companhia.

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Em minha cabeça havia muitas perguntas a lhe fazer, porém ela foi rápida em fazer a suas, perguntou três coisas consideradas por ela, de natureza muito importante, as respondi e fiz as minhas. As fiz aliviado, pois ela havia me dado uma deixa de quem era a garota que mantinha três empregos e passara por dificuldades, sentamos num canto escuro e úmido da cidade, conversamos por um tempo enorme, percebi na boa prosa que infelizmente a essência de todo ser humano é imutável, pode-se haver uma ou outra tentativa de fuga, evoluir solitariamente ou em conjunto talvez, mas a essência é estanque. Nos despedimos, trocamos e-mails, números de celular e toda a parafernália tecnológica, ela olhou-me nos olhos, beijou-me e disse, até a próxima, fiquei observando-a distanciar-se, acendi um cigarro e fui lentamente para a hospedaria, escutando atenciosamente o barulho ensurdecedor dos pneus massacrando o asfalto e sentindo o vento gelado anunciando que em breve viria chuva.

Publicado em:  on Dezembro 26, 2009 at 18:09 Comentários (7)

Impressões adicionais

Em pontos equidistantes, começaremos pelo básico da sobrevivência em sociedade (nunca se atenha a sussurros), no ar então, o uso desse bom modo se faz extremamente necessário. Acredito, sem ter muita noção talvez, que o mais agradável durante o voo não são os sachezinhos, ou a ligeira imagem de sua mãe o esperando no aeroporto, nem ver o jeito esnobe com que o cara ao lado trata a aeromoça, muito menos a maluca que sentou-se a seu lado, e não para de lhe perguntar histórias sobre acidentes aéreos. Isso é muito normal, é pieguice, as diferentes impressões que se pode ter desses tipos de comportamento é o que conta. E acreditem, é algo surrealmente impagável.

Nas poltronas da frente, posso escutar os sussurros que vem de duas mulheres extremamente bem vestidas, que atraíram os olhares mais indiscretos possíveis, não só por suas belezas, como também por suas crassas conjugações verbais. Como sempre acabo formulando pensamentos complexos, as classifiquei como mulheres endinheiradas que não sabiam falar, onde suas características mais marcantes seriam a atração irresistível por perfumes caros, por temperos exóticos e achavam ‘lindíssima’ aquela cena da Cate Blanchett sendo atropelada no filme, Benjamin Button, segundo elas: – Uma cena muito requintada, ui! Depois dessa, não consegui mais concentrar-me no que diziam, por mais que tentasse, uma interferência linguística entre as duas e eu corrompia o contato.  Opa, um minuto, escutei algo. Ah, uma delas disse: – Sou fascinada por pinturas abstracionistas do tipo passa-broxa, não entendo muito, mas, gente inteligente acha bonito. (As duas sorriram, deselegantemente e calaram-se). Ih a conexão caiu, felizmente.

Depois disso olhei para todos os lados buscando refúgio contra a solidão que sentira naquele momento, minha audição seguia tão depressa que eu chegava a escutar todos os sussurros antes de observar e falar, sempre fui assim, e acredito que nunca mudarei; levantei-me lentamente peguei minha mochila e antes de abri-la lembrei que dentro, havia apenas três camisas, três calças, três pares de meia, três cuecas brancas, mil sonhos inacabados, quatro livros, minhas duas únicas boas impressões do mundo, meu primeiro sorriso verdadeiramente sincero, o retrato de um amor perdido, uma caneta sem tinta, um beijo embrulhado em uma folha velha de caderno e uma cola super bonder quase ao fim, que sempre serviu para colar pedaços de coração despedaçado, o mais importante estava no bolso do canto, num lugar onde ninguém encontraria, meus morfemas sentimentais mais individualistas que a tempos espero para compartilhá-los.

Publicado em:  on Dezembro 24, 2009 at 15:55 Comentários (8)

Nós na humanidade

É um pouco desconcertante, embora em muitos casos adequado, mas sabe quando você não tem mais a vivacidade ideológica e moral que antes tinha, talvez por simplesmente ter abandonado aqueles velhos ideais que “tão bem” lhe faziam, e que no entanto, nunca o deixava encarar de frente aquilo que mais temia, por medo ou burrice talvez. Como ao observar alguém assistir as pegadinhas na TV, sem pensar: – é isso que a humanidade é realmente, não consegue dar um passo sem cair, nunca aprendeu a discernir as mais grosseiras formas de achaque moral, olhe essa velha dançando de maneira ridícula na TV, logo ela pisará no vestido e cairá de cara ao chão – será que somos todos essa velha ridícula? …Vejo hoje uma jogada sendo encabeçada pela esquerda que digamos, afirmo, digamos, seja mais uma forma de transformar você ai do outro lado na velha ridícula caindo de cara no chão, da mesma forma como foi usada no início do governo atual, que costumava atacar o FHC com um número matematicamente esdrúxulo de 54 milhões de miseráveis em todo o país. O número real, “apenas” 23 milhões.

Será que a humanidade será sempre isso ai que vemos hoje, à que me refiro?, isso ai, em que você acha estranho assistir um filme onde é retratada a história de um drogado meio bicha, sua mãe extremamente enlouquecida e  a família completamente desestruturada, e pensa: – Ah, esse filme está bem ruim né, roteiro mal escrito, história enjoadinha, os personagens nem parecem reais, a surrealidade nesse filme foi usada as bordas. E sem perceber que você agiu com desdém pela própria realidade, troca o filme e continua levando sua vida como mera caricatura boçal da realidade, na verdade todo ser real parece caricatura mesmo, uns mais elegantes outros mais ignóbeis, mas sempre caricaturados.

Não há figura mais patética do que aquela que cospe na cara da realidade, essas pessoas deveriam ser detidas por contribuição aos crimes sociais e por comportamento perigoso, é uma tarefa árdua enumerar os aspectos existenciais de pessoas assim. Às vezes me nego a pensar que elas existem e que são grosseiras o suficiente para transformar mesmos seus impulsos positivos em algo terrivelmente negativo.

Bem, isso é lá com as variedades comportamentais não é mesmo?! E isso ‘não lhe prejudica de nenhuma forma, você nunca estará sujeito a qualquer esboço de seriedade e o ano de 2010 para você sob nenhuma hipótese representará o afundamento de um país ao “bolivarianismo”, ou ao autoritarismo liberal’, ele representará época de feriados prolongados e campeonatos de futebol, onde você se perderá naquela velha nuvem turva de ignorância, nem ai né?

Ah Wemerson você exagera, seja menos rígido com a bestialidade social, pense em um trecho das belas obras de Machado de Assis, onde o bem se tornou uma palavra obrigatória, esqueça por um minuto o morro do alemão – Brazil. Foque seu pensamento de maneira esnobe. Sempre funciona com você, e além do mais, são quase cinco da manhã, não há luz lá fora só os fortes ventos, fazendo vibração nas janelas. Tudo ficará bem. Claro, há certo vazio, onde antes existiam variedades. Mas isso vai passar. Sempre passa.  E ser aquém a todo esse modismo bestial de muito do mesmo é sinal de que a vida continua e promete aumentar em números.

Publicado em:  on Dezembro 20, 2009 at 09:08 Comentários (14)
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Mania de escuro essa minha

Mania de escuro essa minha. Por um minuto, enquanto desperdiçava minha atenção observando o comportamento exagerado das pessoas, pensei ter sido preso durante vários dias em uma biblioteca escura, onde dispunha somente das companhias surrealistas de Martin Heidegger, Jane Austen, Chesterton e inevitavelmente com alguns próceres do comunismo, como: Bakunin, Marx e seus Grundisses secretos, e bem ao longe, com muito esforço se conseguia ouvir a voz desajeitada de Jhon Mainard Keynes, com os dizeres: “Can anyone help me?… Adam Smith is choking me”, e ah!, tinha também uma garotinha, que de acordo com Jane Austen repetia a mesma frase à trinta e cinco anos sem parar – “alguém me explica o sentido real da vida…” . Quando completou o quadragésimo quinto dia fui finalmente solto, pude ir para casa, no entanto, senti falta daquele escuro, do silêncio ensurdecedor que ao mesmo tempo que me indagava respondia a todos meus questionamentos, sensação que somente aquela biblioteca me proporcionara. Finalmente em casa, estava inquieto, procurava para me recostar somente em lugares com pouca ou nula iluminação, dai percebi, que infelizmente, serão poucos os lugares a altura daquela velha biblioteca,  sem desmerecer as boas companhias, mas nada nem ninguém, merecerá  aquele espaço de um minuto em meu mundo.

Publicado em:  on Dezembro 19, 2009 at 12:55 Comentários (6)
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Nunca me ocorreu

Nunca me ocorreu que alguém pudesse tão explicitamente rejeitar a experiência diária dos acontecimentos, os mais surreais como os mais corriqueiros, as vitórias, derrotas, anseios, desejos ou o amargo sabor do quase, e ao fim de cada experiência refletir calmamente sobre os pontos negativos e positivos e chegar a um denominador moral comum.

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Há poucos dias, nos corredores da livraria cultura fui apresentado a uma garota que havia vivido boa parte de sua vida na Inglaterra, onde lá estudara a arte do jornalismo literário, algo que muito me interessa; e em meio, a acredito que uma hora e meia de conversa, percebi sua personalidade alhures e esnobe intercalando com a doçura de sua voz e a sinceridade de suas palavras, digna dos hábitos ingleses, o que confesso, me encantou profundamente; nunca antes havia tido conversa tão prazerosa quanto aquela.

Ao decorrer da conversa, entre descobertas, semelhanças e discussões, acreditei claramente que ao adquirir a postura externa de uma idiota esnobe, ela esperava garantir que nada lhe fosse cobrado ou exigido. Seus talentos na doma de um texto, seus olhares perdidamente significantes, como se observasse criteriosamente cada sotaque regionalista, cada centímetro da arquitetura do local de forma a encontrar a particularidade do ethos brasileiro enraizado na personalidade do arquiteto, e se perguntando por que? Suas conversas e seu belo sorriso, simples e discreto – quase anunciando que estava feliz em não ser cobrada explicações teóricas sobre a literatura jornalística (new jornalism), e que somente a conversa comum sem grandes pretensões a deixara extremamente feliz. No entanto, consegui o que queria. Em um momento de silêncio em nossa produtiva conversa ela olhou-me diretamente nos olhos e sussurrou de maneira que somente eu a escutasse, “acredito que a chave para a descoberta de como realmente praticar e praticar bem esse tal novo jornalismo, está em observar profundamente cada ponto dos fatos, mesmos os mais inaudíveis, e a partir dessa observação criteriosa mesclar sua experiência literária eliminando a crueza de simplesmente apresentar fatos. Passará a compor enredos, é justamente disso que a vida carece, a ampla significação do enredo e sobre tudo como aplicá-lo nas rotinas enjuadinhas, e o que é o jornalismo se não uma maldita ciência social?! E como toda ciência social, lida com a moral humana ”.

Logo após toda essa demonstração de controle e de semântica, protagonizada apenas por simples olhares e sussurros, ela se levantou vagarosamente, rascunhou seu endereço em um papel e deu-me seguido dos dizeres … Espero que possamos nos encontrar logo mais a noite para discutirmos sobre a vida, pois passarei pouco tempo no Brasil, cada minuto é importante.  Descobri que em suas atitudes tão finamente moldadas pela classe de uma estada longe dos territórios tupiniquins, que o silêncio verbal era seu refúgio de um mundo que pode ser negociado com sucesso apenas pelo estilo, apenas pelos costumes e as graças que lhe fora ensinada. O que me fez ter certeza, que embora reconheça a alegria do brasileiro, considero que a crueza da educação moral deficitária (sem menção a educação acadêmica) acabou por minar qualquer possibilidade de uma nação estruturada em comportamentos simples e requintados, o que sobrou foi somente a truculência de berros e palavrões ao decorrer de partidas de futebol e a pecha de intelectuais aos considerados demiurgos que ocupam papéis de importância nos setores educacionais do país.

Como não tenho pretensões ‘subversivas e direitistas’ como afirmam alguns de meus leitores, chamo atenção para o que realmente motivou-me a escrever esse texto tão enfadonhamente repleto de citações, como: new jornalism, demiurgos acanalhados e as taxativas experiências cotidianas.  No âmbito do comportamento humano a distinção entre o belo e o sublime levantada por Kant foi dilacerada e deixada aos frangalhos como se mastigada por cães ferozes, e o que sobrou foi à simples selvageria de lançar jovens ao mundo adulto em um completo estado de vulnerabilidade, expostos a julgamentos onde se tornam aquéns e incapazes de responder ou até evitá-los em grande maioria. É interessante citar meus pontos de vista, para que leitores ensandecidos adquiram o hábito de criticar-me com afirmações do tipo: – “não gosto de lidar com ideias, prefiro lidar com sentimentos ou fatos concretos e desconsiderar os acontecimentos diários, pensando somente no meu amanhã”, ai vem um CHAVÃO … Carpe Diem. E o que se segue é justamente o que citei lá no primeiro período deste texto.  Nunca me ocorreu que alguém pudesse tão explicitamente rejeitar a experiência diária dos acontecimentos (…)

Publicado em:  on Dezembro 12, 2009 at 18:39 Comentários (20)

A woman truly fabulous – Jessica Biel

Publicado em:  on at 17:40 Comentários (2)

Meu caráter às vezes me trai

Meu caráter às vezes me trai com uma facilidade interessante; em um segundo e quarenta e cinco centésimos de loucura tão ridiculamente privada ao senso comum, digitei meu nome nas procuras do Google e inevitavelmente apareceu seu significado. O que é mais bestial em toda a história, é que grande parte dos dizeres semânticos que o Google destacou, tem grande similaridade com quem sou verdadeiramente. Mas em alguns poucos segundos depois, raios e trovões seguidos quebraram o silêncio que antes reinava, e em um lampejo de visões, veio a minha cabeça a imagem exata de Romola Garai sentada em cima de uma pilha de moedas de ouro, dai em diante percebi que talvez esse ato de procurar referências minhas na internet poderia causar-me alguma virose tropical ou quem sabe depois de longas horas de intensa procura começaria a redarguir verbetes brasileirissímos, e acredito, que de alguma forma isso poderia me causar impotência.

Decididamente, há algo de megalomaníaco em mim que me faz gostar de mulheres escandinavas, moedas de ouro e sobre tudo recusar qualquer similaridade com o brasileirismo.

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Se descrevesse toda minha aventura semântica pelas viagens a procura de explicações morais no site de busca, transformaria esse post em uma anedota romântica, e em ataques convulsivos seguidos escreveria frases com uma cordinha de marionete me guiando afirmando que você deseja uma mulher chamada Jandira com a alma, ou se atiraria do 20° andar de um prédio com a alma. E esse, decididamente não é meu viés.

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De quando em vez ao ler grandes obras literárias sinto algo engraçado – obras que merecem edições minimalistas e anotações devidamente atenciosas, preciosidades da literatura, com frases tão perfeitamente conjugadas e tão perfeitamente auto explicativas, acima de qualquer esforço humano dignas de Deuses gregos. Fico eu cá imaginando como foram feitas, com base em que, qual sua inspiração moral para tanto. Sem a mínima explicação, me contento com sua simples existência, como se desse tapinhas nos ombros jogando a poeira fora toda vez que alguém a lesse e ficasse a passos largos à frente, no entendimento do comportamento humano. Ou quem sabe ao captar uma frase nem tão clara assim, gritaria, a-há, passando a não mais admirar o autor, pensando que a frase não foi bolada por um rélis ser humano, mas sim insuflada arbitrariamente pelas páginas carentes de belas frases.

Publicado em:  on Dezembro 9, 2009 at 07:58 Comentários (18)

Confissões de final de ano

Bom, o final do ano se aproxima muito rapidamente e me lembro de alguns poucos motivos que me fazem comemorar o ano de 2009, dentre eles, não ter dedicado minha atenção se quer por um minuto a gente inglória, ou a pseudointelectuais de esquerda ou quem sabe ao babaca da publicidade que sofre de carência intelectual e sobre tudo – carência de atenção, vivendo como se batesse diariamente em panelas chamando atenção para sua existência inerte e grosseira.  Ao desprezar esse tipo de gente, sentir-me infinitamente mais leve, com uma vaga, porem súbita e persistente vontade de cantar My Way de Frank Sinatra. Exercitem essa prática, e notarão que nada tornará um ambiente mais sofisticado do que a inércia de gente tão tipicamente odiosa.

Acima descrevo os critérios mais sinceros para a felicidade real, acreditem. Parto do pressuposto da dicotomia dos pontos essenciais da modernidade, que seria, ou é a fragmentação em quanto ser social. Algo como ter de aturar diariamente os mais diversos estilos de comportamentos (ipsis literis) e moldar-se psicologicamente com um sorriso meio de lado, mas, aprovativo para qualquer atitude bestial, mesmo que por dentro esteja socando e aplicando golpes de jiujitsu em tais bestalhões. Enquanto em uma atitude completamente inversa, correr para frente de seu computador, escrever as agruras diárias e limpar sua mente daquela imagem bizarra de velhos (etários) com a petulância jovial de um micro vestido ou em casos mais graves esses mesmo velhos (etários) usando gírias vulgares dignas de garotões estilo surf wear. Acontece comigo e com você, não se pode fugir disso. Trate como uma vocação, quase como um dom.

De fato, todos temos propensão a algo, eu, por exemplo, tenho uma certa propensão a subestimar a verdadeira força intrínseca que cada individuo possui – talvez por um ato involuntário de incentivo a descoberta de sua força e sabedoria interior –, quebrando elos de dependência com a trancendentalidade. Repito, talvez! Como talvez a esquerda tenha verdadeiramente algum intelectual escondido em baixo de pedras ditando os novos manuais do foro de São Paulo, pelo menos podem considerar em um tom saudosista que um dia tiveram um inteletual dos bons Paulo Francis.

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O que está em jogo, é muito apenas do que simples lição de moral e ética cívica. Como tornei-me bom em lições textuais, lá vai mais uma, todos os palavrórios expressados quase de modo fanático no primeiro período desse texto, reflete pura e simplesmente, o que se estão discutindo no cenário político atual. A ditadura da opinião. Cabe nesse trecho um chavão (…) Sem ter a noção exata, os “novos meios de comunicação” discutem justamente essa ditadura involuntária, da validação como verdade única, de diversas opiniões e de diferentes partidos ideológicos.

É justamente dessa imensa variação de ideologias que devemos nos manter firmes, em uma posição ideológica rica, escutando pacientemente todas as opiniões, às vezes em silêncio e outras reagindo sem grande paixão ou fanatismo.

Afinal, a sua razão é ética ou anti ética? Verdade ou mentira? Falácias ou fatos? Em um critério de escolha, primeiro a resposta imediata. Em seguida avaliamos as opiniões contrárias e a favor, e consideramos as que forem essenciais.

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Talvez a utopia de uma sociedade perfeita em visão da que hoje ai está, seria algo – mesmo que infinitamente distante – com as descrições de Jane Austen e seus vários Sirs Walter Elliot divertindo-se enquanto leem deliciosamente um bom livro. Imaginem, por um minuto, os dias de partida de futebol sendo trocados por boas obras literárias, ou quem sabe os tradicionais bailes funk carioca substituídos pelo prazer de uma leitura Chestertoniana. É, eu sei, não passa de uma utopia fundamentalista. Mas é minha utopia, e de outras 50 pessoas que conheço e de outras 300 que visitam este blog.

Ao defender essa dicotomia considerada por muitos, esdrúxula, inevitavelmente invado a 180 Kms por hora o terreno da Eugenia … Logo algum bonachão contraporá afirmando que a eugenia não é praticada de maneira atroz como em tempos passados, concordo. Mas ninguém, conhecendo os certames da Eugenia desconsiderará que ela existe e é latente no mundo moderno.

O que citei conscientemente e de maneira didática lá no auto desse texto é Eugenia pura. Embora não de maneira aprofundada. Fica para a próxima.

Publicado em:  on Dezembro 5, 2009 at 16:00 Comentários (27)
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